Grávida precisa cuidar de corpo e mente: conheça o pré-natal terapêutic

Se falássemos disso em um almoço de família há uns anos, a cara seria de espanto, mas – graças a muitos debates e desabafos maternos trazidos a público – hoje sabemos que é preciso cuidar da mente para gestar melhor. A maternidade é uma experiência única, mas pode ser desafiadora, especialmente quando fatores inesperados entram em cena, como comorbidades ou questões que mexem com nosso emocional. Com ajuda profissional é possível enfrentar os mais diferentes desafios que surgem na gestação, de forma saudável, não só física como emocionalmente. Em primeiro lugar, claro, a gestante deve garantir que está bem amparada no que diz respeito à saúde física, isto é, seguir seu pré-natal com um obstetra qualificado. Isso inclui realizar todas as consultas e exames de rotina, seguir as orientações médicas e adotar mudanças sugeridas no estilo de vida. Não necessariamente depois – talvez o ideal seja em paralelo, é preciso olhar para sua saúde mental. Não é necessário uma razão específica ou um problema; a gestação em si já é uma mudança significativa na vida de qualquer mulher e ter o acompanhamento terapêutico é transformador. Você se sentirá mais segura, amparada, preparada para as ambivalências que surgirão. Há um aumento da procura de terapia na gestação devido à conscientização da saúde mental, da importância dos cuidados emocionais e por reconhecerem as diversas transformações vivenciadas durante a gravidez, tanto por parte das gestantes como pelos profissionais de saúde. Adriana de Lima Souza, psicóloga do Hospital e Maternidade Santa Joana. Se a gestação envolver complicações ou gerar muita angústia, a terapia é ainda mais indicada. Ou se a gestante estiver passando por um período prolongado de ansiedade, tentativas, abortos espontâneos, expectativas. Segundo a psicóloga Adriana de Lima Souza, o pré-natal psicológico poderá avaliar e diagnosticar de forma precoce algum processo mental que não vai bem, como o Transtorno Depressivo, que pode ser um antecedente prévio e se intensificar nessa fase, ou iniciar o quadro durante a gestação ou pós-parto. “Outros aspectos, como histórico psiquiátrico, gestação não planejada e abortos anteriores, potencializam a necessidade do pré-natal psicológico para prevenir complicações psíquicas”, salienta. Quando há problemas com a gravidez, para além do vivenciado pela gestante devido aos hormônios e mudanças naturais, é importante que o apoio psicológico não seja voltado apenas para ela: o ideal é que seja para o casal. Compartilhar emoções e cuidado: uma abordagem holística da gestação Outra opção interessante é procurar grupos de apoio. Existem diferentes tipos, alguns para mães solo, outros para famílias que adotam, e por aí vai. Sem falar no amparo de amigos e familiares, quando possível, que também é essencial nesse período. Converse com quem você tem mais intimidade, e peça ajuda sempre que preciso. Mas, não ignore a importância do acompanhamento especializado: cada vez mais gestantes estão recorrendo ao pré-natal psicológico ou terapêutico. Essa prática envolve o acompanhamento da gestante por um psicólogo, psiquiatra, psicanalista ou terapeuta perinatal, com o objetivo de apoiar a mulher emocional e psicologicamente durante a gravidez, o parto e até no puerpério. O ideal é que o acompanhamento seja feito por um psicólogo especializado em questões perinatais, ou seja, que tenha experiência e formação específica para lidar com as questões emocionais que envolvem a gravidez, o parto e o pós-parto. Adriana de Lima Souza, psicóloga do Hospital e Maternidade Santa Joana O profissional especializado pode oferecer suporte emocional, ajudar a lidar com as mudanças no corpo, as emoções e a dinâmica familiar, além de oferecer estratégias para enfrentar o estresse ou qualquer outro desafio psicológico que a gestante possa estar enfrentando. O objetivo destes profissionais durante a gestação é oferecer suporte à gestante, além de prevenir ou tratar desconfortos psíquicos que possam surgir, como depressão ou ansiedade. A ansiedade, quando não tratada, pode resultar em crises ou em quadros de depressão, especialmente no puerpério, que é um período de grandes desafios para a saúde mental. É importante destacar que, no caso da terapia perinatal, pode haver inclusive diferentes abordagens e técnicas. A escolha do tipo de terapia deve ser feita com base nas suas necessidades individuais. Independentemente do tipo de terapia ou profissional escolhido, a primeira vantagem é que este acompanhamento oferece um espaço para a mulher compreender as profundas mudanças pelas quais está passando, e também para “desromantizar” a maternidade, que muitas vezes é idealizada de maneira irreal – e coloca um peso desnecessário nos ombros de quem já carrega uma vida no ventre. Ainda na dúvida se é para você? Lembre-se de que o conceito de pré-natal terapêutico vai além do acompanhamento médico, que visa diagnosticar doenças e complicações físicas na gestante e no bebê. Mas, assim como o pré-natal convencional, o terapêutico busca tratar da saúde da gestante – só que com o foco no emocional e no mental. Também como o pré-natal médico, o terapêutico pode “remediar” quando necessário (neste caso, é preciso contar com um psiquiatra), mas – acima de tudo – ele vem para atuar na prevenção. Ou seja, uma boa terapia é para todas as grávidas, afinal, assim como ela deve ser monitorada para problemas físicos, também é essencial que sua saúde mental seja acompanhada de perto. Os benefícios, na prática, são vários, como a vivência dessa experiência de forma muito mais equilibrada e saudável. Isso pode envolver desde a redução do estresse e da ansiedade até o fortalecimento emocional para enfrentar o pós-parto e os desafios futuros da parentalidade.

Viajar é o maior sonho das mulheres brasileiras de todas as idades, mostra pesquisa

Sonhar acordado é um combustível para movimentar a vida. Com o objetivo de mostrar o modo como as diferentes gerações cultivam seus desejos, o Instituto Think Olga, organização que propõe soluções para as desigualdades de gênero, fez uma pesquisa sobre os principais sonhos da mulher brasileira em parceria com o projeto “Sonhe como uma garota”. Uma das conclusões foi que mulheres de todas as idades e de todas as classes socioeconômicas compartilham um mesmo desejo principal: viajar. Para o levantamento foram entrevistadas, de forma online, 1.080 mulheres brasileiras de diferentes faixas etárias e classes sociais, de todas as regiões do país. Outros sonhos manifestados pelas mulheres são o de conquistar estabilidade financeira, estudar e construir uma carreira. Diretora da organização, Maíra Liguori, tem algumas hipóteses sobre o que seria o motor desse ímpeto maior de conhecer o mundo. “Conversamos com a Adriana Pereira, psicanalista especialista em sonhos, e chegamos à conclusão de que a viagem concretiza muitas coisas”, afirma. A primeira delas é o escapismo, ou seja, a possibilidade de se libertar das amarras e das obrigações de ser quem se é no dia a dia para se expressar em um contexto diferente. “Quem sou eu quando não estou sobrecarregada com o meu contexto?”, diz Liguori. “Às vezes é inclusive um modo de ser ainda mais fiel aos seus verdadeiros desejos.” Foi pela chance de unir viagem e carreira que Rosana Barbosa, até então administradora, decidiu recalcular a rota e entrar na faculdade de turismo aos 53 anos. Hoje, aos 58, ela reúne grupos de mulheres que desejam ter essas mesmas experiências de imersão em outras realidades. “Eu adoro pessoas, e o que eu mais gosto em viagens é de estar com outras culturas. É a experiência, a liberdade, as vivências”, afirma. Um ponto de virada em sua vida, ela diz, aconteceu quando viajou pelo mundo com uma plataforma de turismo voluntário, por meio da qual trocava trabalho por hospedagem, por exemplo. Rosana avalia que as mulheres que a procuram são motivadas principalmente pelo sentimento de independência e empoderamento que viajar traz. “É sair do medo e ir atrás da coragem. Muitas mulheres se sentiam presas e achavam que não podiam realizar esse sonho. A viagem te deixa destemida.” Para ela, viajar também traz autoconhecimento. “Dificilmente alguém volta [de uma viagem] com os mesmos sentimentos e pensamentos.” O desejo das mulheres por liberdade e autonomia é perceptível no mercado de viagens no Brasil, e agências de turismo especializadas em mulheres ainda são importantes e têm seu espaço porque, embora as sociedades tenham avançado, as barreiras de gênero ainda existem. “Viajar, para um homem, é muito diferente do que viajar é para uma mulher. Um homem nunca se pergunta se o lugar para o qual está indo é seguro, quais roupas ele pode usar”, afirma Dandara Degon, fundadora da agência Woman Trip, especializada em viagens para mulheres. “E a viagem em grupo tem um impacto social de ocupação dos lugares por mulheres”, acrescenta. Letticia Gerhardt, fundadora da ViajaGuria, afirma que a agência atende mulheres em diversos momentos da vida e com sede de aproveitar a vida ao máximo. “Chegam mulheres que estão saindo de um relacionamento e querem se redescobrir, mulheres que têm ansiedade social e querem estar em grupo”, conta. Ela diz que fundou a agência com base na paixão por viajar que nutre desde pequena e vê no projeto a realização de um sonho de infância. Concretizar um sonho, contudo, muitas vezes também requer enfrentar as dificuldades impostas pela vida. Ter dinheiro é o segundo maior sonho das brasileiras, e com frequência uma barreira para a realização do sonho de viajar. “A realidade dura da escassez atropela demais os sonhos”, diz Liguori, do Think Olga. Bater de frente com os obstáculos da vida real pode ser frustrante e coloca as necessidades básicas no lugar do sonho, fazendo com que os desejos de fato pareçam cada vez mais distantes. “Quando as mulheres falam da viagem, do dinheiro, da carreira e da família, elas estão falando de liberdade”, conclui.   Fonte: Folha de São Paulo

Cerca de 60 mulheres no Tocantins fazem tratamento do câncer de colo de útero

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) iniciou a campanha Março Lilás, com o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de colo de útero. A doença é considerada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) como o terceiro câncer mais frequente entre a população feminina no Brasil (atrás do câncer de mama e de colorretal) e a quarta causa de morte de mulheres. O câncer do colo do útero é causado pela infecção genital persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano (HPV). O vírus é sexualmente transmissível, muito frequente na população e seria evitável o contágio com o uso de preservativos. Na maioria das vezes a infecção não causa doença, mas em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir ao longo dos anos para o câncer. A presença do vírus e lesões pré-cancerosas é possível ser observada no exame preventivo (conhecido também como Papanicolau) e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso, é importante a realização periódica do exame preventivo. Para os casos confirmados, o tratamento vai depender do estágio de evolução da doença e incluem: cirurgia; quimioterapia e/ou radioterapia. “É importante o cuidado desde cedo, com a vacinação ainda na infância e adolescência e os exames periódicos de Papanicolau para quem já iniciou a vida sexual, pois o câncer de colo de útero tem cura quando diagnosticado precocemente”, afirmou o cirurgião oncológico, Ricardo Souza. Tratamento No Tocantins, as mulheres diagnosticadas com a doença fazem acompanhamento na nas Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACONs), localizadas em Palmas e Araguaína, onde atualmente cerca de 60 mulheres seguem em tratamento. “Fui diagnosticada com o câncer de colo de útero e fiz meu tratamento no Hospital Geral de Palmas, onde sempre fui bem atendida por uma equipe maravilhosa. Graças a Deus fiquei curada e sigo minha vida normal, com os exames periódicos que sempre devemos fazer”, relatou Antônia de Jesus Costa. Vacinação contra o HPV O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza pelo Programa Nacional de Imunizações, a vacina contra o vírus HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos (14 anos, 11 meses e 29 dias); homens e mulheres transplantados; pacientes oncológicos em uso de quimioterapia e radioterapia, pessoas vivendo com HIV/Aids e vítimas de violência sexual. Para grupos com condições clínicas especiais, pessoas de 9 a 45 anos de idade, vivendo com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea e pacientes oncológicos, imunossuprimidos por doenças e/ou tratamento com drogas imunossupressoras, são administradas três doses da vacina com intervalo de dois meses entre a primeira e segunda dose e seis meses entre a primeira e terceira dose (0, 2 e 6 meses).

Um a cada três brasileiros vive com obesidade, mostra relatório global

Aproximadamente um a cada três brasileiros, 31%, vive com obesidade e essa porcentagem tende a crescer nos próximos cinco anos. No país cerca da metade da população adulta, entre 40% e 50%, não pratica atividade física na frequência e intensidade recomendadas. Os dados são do Atlas Mundial da Obesidade 2025 (World Obesity Atlas 2024), da Federação Mundial da Obesidade (World Obesity Federation – WOF), lançado nessa segunda-feira (3). O relatório mostra que, no Brasil, 68% da população tem excesso de peso e, dessas, 31% tem obesidade e 37% tem sobrepeso. O Atlas traz ainda uma projeção de que o número de homens com obesidade até 2030 pode aumentar em 33,4%. Entre as mulheres, essa porcentagem pode crescer 46,2%. O sobrepeso e a obesidade podem trazer riscos. Segundo o Atlas, 60,9 mil mortes prematuras no Brasil podem ser atribuídas as doenças crônicas não transmissíveis devido ao sobrepeso e obesidade, como diabetes tipo 2 e Acidente Vascular Cerebral (AVC) – a informação é baseada em dados de 2021. Diante desse cenário, o endocrinologista Marcio Mancini, diretor do Departamento de Tratamento Farmacológico da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), diz que o Brasil precisa tratar o sobrepeso e a obesidade com uma questão de saúde pública. “É um problema de saúde pública, não dá mais para responsabilizar um indivíduo. Não dá para falar para aquela pessoa que sai às 5h da manhã de casa e chega em casa às 21h, que passa várias horas em transporte público, para comer mais frutas e legumes e ir para academia fazer exercício”, defende. “O problema de saúde pública tem que ser enfrentado com medidas de saúde pública”, enfatiza. Ele cita exemplos de medidas como aumentar as taxas de bebidas açucaradas como formas de conscientizar a população e colocar avisos nos rótulos dos alimentos de que aquele produto possui altas taxas de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio. Mas reforça que ainda são necessárias outras ações, como reduzir os preços de alimentos saudáveis e campanhas permanentes nas escolas. “Tem um dia por ano que se fala de alimentação saudável na escola. Isso não adianta absolutamente nada. Ninguém vai mudar a sua alimentação por escutar uma vez do ano alguma coisa sobre a alimentação saudável. Tem muito a ser feito”, diz o médico. Ele acrescenta que até mesmo medidas de segurança pública e urbanismo podem incentivar e permitir que a população tenha uma melhor qualidade de vida. “Até mesmo violência urbana, iluminação urbana [têm impacto] porque as pessoas têm medo de andar na rua. As pessoas poderiam usar menos o carro e usar transporte público, se o transporte público fosse de qualidade”, diz. “Ter parques em todas as regiões da cidade, não só em regiões privilegiadas, ter calçadas adequadas para as pessoas caminharem. Vai muito além de só falar para a pessoa, olha, coma direito e vá se movimentar”. Situação no mundo De acordo com o Atlas, atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem com obesidade. Projeções indicam que esse número pode ultrapassar 1,5 bilhão até 2030, caso medidas efetivas não sejam implementadas. O relatório mostra que dois terços dos países estão despreparados para lidar com o aumento dos níveis de obesidade, com apenas 7% tendo sistemas de saúde adequadamente preparados. A obesidade está ligada a 1,6 milhão de mortes prematuras anuais por doenças não transmissíveis, superando as fatalidades em acidentes de trânsito. A Federação Mundial da Obesidade calcula um possível aumento de 115% na obesidade entre 2010 e 2030, e pede que a questão seja tratada por “toda a sociedade”, com políticas como rotulagem de alimentos, tributação e promoção da atividade física. O relatório mostra que os índices brasileiros são melhores que os dos Estados Unidos, por exemplo, com 75% da população com excesso de peso e, dentro desse grupo, 44% das pessoas com obesidade. Mas, na outra ponta, são piores que países como a China, com 41% da população com excesso de peso e, desses, 9% com obesidade. “Apesar de a alimentação do brasileiro estar piorando ano a ano, cada vez se come menos arroz e feijão e se come mais esses alimentos processados, o Brasil não come tanto ultraprocessado como os Estados Unidos, por exemplo. É o momento de tentar reverter esse cenário”, defende Mancini. Mudar o Mundo Pela Saúde Diante desses dados, a campanha Mudar o Mundo Pela Saúde busca mobilizar governos, organizações de saúde e toda a sociedade para promover mudanças. Esta terça-feira (4) é o Dia Mundial da Obesidade, que buscar conscientizar população e governos sobre a obesidade. Como parte da campanha no Brasil, a Abeso, em parceria com a Sociedade SBEM, lança o e-book gratuito Mudar o Mundo Pela Nossa Saúde, que tem como objetivo analisar e propor mudanças em políticas públicas, iniciativas privadas e diversos setores para criar sistemas mais eficazes na prevenção e tratamento da obesidade.

Veja dicas de saúde para se proteger no carnaval

Quem vai curtir o carnaval nos trios elétricos, blocos de rua e desfiles de escolas de samba deve ficar atento a alguns cuidados para garantir diversão até a Quarta-Feira de Cinzas (5). O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), por exemplo, pede cuidado redobrado na hora de usar lentes coloridas, colas para cílios, maquiagem com glitter, tinturas faciais e pomadas para modelar, trançar ou fixar cabelos, para evitar traumas e infecções oculares. A presidente do CBO, Wilma Lelis, ressalta que as pomadas fixadoras de cabelo lideram a lista de produtos que merecem atenção quando o assunto é saúde ocular durante o carnaval. Além de dor, pacientes que apresentaram problemas ao usar pomadas modeladoras relataram irritação e inchaço nos olhos e, em casos mais graves, até cegueira temporária. “Infelizmente, pomadas com substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) continuam chegando ao mercado e fazendo vítimas, colocando em risco a saúde ocular de inúmeras pessoas, o que é preocupante”, afirma Wilma. A entidade orienta cuidado especial com produtos que possam causar queimadura química na córnea, como cola de cílios, tintas, sprays de espuma. Se houver exposição a substâncias corrosivas ou abrasivas, a indicação é lavar os olhos, preferencialmente, com soro fisiológico em abundância. Em emergência, a água corrente pode ser utilizada ao redor do olho. Posteriormente, deve-se procurar um serviço de oftalmologia para uma avaliação especializada. Crianças A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta os pais e cuidadores a escolherem blocos ou festas adequados para a faixa etária da criança ou do adolescente. O presidente da SBP, Clóvis Francisco Constantino, considera fundamental que os pais tenham uma conversa com os filhos antes de saírem para bloquinhos de rua ou festas. “O diálogo é muito importante para que as crianças e adolescentes entendam que existem riscos aos quais, muitas vezes, eles não têm noção. Esse momento também mostra que os pais confiam em seus filhos. Porém, deve-se falar sobre não consumir álcool e outras drogas, além de reforçar a orientação de nunca aceitar doces, balas ou bebidas de pessoas desconhecidas, por mais bem intencionadas que elas pareçam”, alerta Constantino. A SBP recomenda ainda ficar pelo menos a 15 metros de distância de caixas de som, pois o volume elevado pode prejudicar a audição. Para aqueles com maior sensibilidade auditiva, a indicação é usar protetores auriculares. Rodovias Antes de pegar a estrada para curtir o carnaval, a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) reforça a importância do uso de cinto de segurança, de cadeirinhas apropriadas e a acomodação correta de bagagens e de animais de estimação. Em casos de colisões, os objetos soltos dentro do veículo podem ser arremessados sobre os ocupantes, causando ferimentos. Motociclistas devem usar sempre capacetes. A associação também chama a atenção para a importância do bem-estar do condutor do veículo. “O motorista deve ficar atento a possíveis efeitos colaterais de alguns medicamentos que porventura for utilizar, e não fazer uso de bebidas alcoólicas nem de drogas. Além disso, antes da viagem, quem vai dirigir deve ter uma boa noite de sono e, em trajetos longos, programar pausas para descansar”, diz o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior. >> Celular no carnaval: saiba como proteger dados em caso de furto O diretor científico da entidade, Flávio Adura, alerta para o risco do uso do celular ao volante. “Os riscos em sinistros de trânsito quadruplicam quando se checa mensagens e aumentam em 23 vezes quando elas são digitadas. Se precisar usar o telefone, peça ajuda para o passageiro ou estacione em um lugar seguro”, orienta Adura.

Celular no carnaval: saiba como proteger dados em caso de furto

O combo multidão, suor e diversão no Carnaval não combina com a dor de cabeça de ter o celular roubado. Muitos criminosos se aproveitam da distração do folião e dos espaços apertados para agir. Por isso, para dificultar a vida do ladrão, vale evitar ficar com o telefone na mão, principalmente em lugares movimentados. A recomendação é guardá-lo em local seguro. Se ainda assim, o roubo ou a perda do celular ocorrer, para minimizar o risco de uso indevido do dispositivo, a ação para evitar que terceiros acessem a linha telefônica e os dados pessoais armazenados no telefone extraviado deve ser rápida. Para isso, existe o aplicativo do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) Celular Seguro, que pode ser baixado gratuitamente nas lojas de aplicativos para Android e para Apple. O serviço permite o cadastro de pessoas de confiança do usuário que poderão comunicar o roubo (quando há uso de violência ou ameaça), o furto (sem contato ou intimidação) ou a perda do celular e, ao mesmo tempo, bloquear remotamente o aparelho e as contas vinculadas ao nome do dono do aparelho. Lançando em dezembro de 2023, a ferramenta registrou até as 8 horas desta quarta-feira (26) 111.852 alertas de bloqueio. Destes, 51.476 foram por roubo; 36.343 por furto; 22.652 por perda. O Ministério da Justiça contabiliza que 2.499.301 pessoas instalaram o aplicativo e estas cadastraram 1.713.757 na função chamada de Pessoa de Confiança. Celular Seguro A plataforma Celular Seguro é uma espécie de botão de emergência, que garante que mesmo sem acesso imediato à internet ou a outro dispositivo móvel, seja feito o bloqueio do celular rapidamente pelo próprio usuário ou por alguém em que ele confie. O Ministério da Justiça aconselha que seja cadastrada no aplicativo móvel mais de uma pessoa de confiança. A funcionalidade também serve para registrar mais de um celular em nome do mesmo usuário. Por segurança, a linha do aparelho deve estar cadastrada no Cadastro de Pessoa Física (CPF) do usuário. Caso contrário, o alerta não será emitido. Com o registro da ocorrência, o Celular Seguro enviará um alerta para entidades parceiras, que realizarão o bloqueio do aparelho e das contas vinculadas. As entidades participantes são bancos e instituições financeiras, operadoras de telefonia, entidades de classe, empresas multinacionais de tecnologia e aplicativos de serviços. Como se proteger No próprio aplicativo Celular Seguro, o interessado deve clicar na opção ‘Cadastrar Contato’ e preencher o formulário com o nome, o Cadastro de Pessoa Física (CPF), o telefone e o e-mail da pessoa escolhida. A pasta aconselha que a escolha das pessoas de confiança deve ser feita com segurança, porque o amigo ou familiar cadastrado terá permissão para solicitar o bloqueio do aparelho em caso de furto, roubo ou perda. O responsável de confiança precisa estar cadastrado no Celular Seguro e ter login no portal único de serviços digitais do governo federal, o Gov.br.  O objetivo é impedir que terceiros façam bloqueios indevidos. O ideal é que o programa esteja no próprio celular da pessoa de confiança. A partir do registro do nome, a pessoa de confiança passará a visualizar o aparelho no perfil do aplicativo dela. Se houver um incidente com o celular, um dos habilitados poderá acessar o aplicativo no próprio celular ou no site do programa e emitir um alerta para bloquear o aparelho listado em nome de quem registrou aquela pessoa de confiança. Basta clicar no botão “Emitir Alerta”. E mesmo que a pessoa de confiança não tenha nenhum celular cadastrado no aplicativo para si mesma, ainda assim pode ajudar outras pessoas que a escolheram como contato seguro. Emitir alerta Primeiramente, o aparelho cadastrado para o qual se deseja fazer a ocorrência deve ser selecionado. A plataforma permite escolher se o alerta será emitido pelo próprio usuário para avisar sobre ocorrências inesperadas com seus dispositivos ou se será o contato de confiança cadastrado previamente, no caso do usuário estar impossibilitado de agir. Para isso, é preciso clicar em “Meus Telefones” ou “Telefones de Confiança”. O programa ainda oferece duas modalidades de bloqueio: Modo total – desativa a linha telefônica, as contas vinculadas às instituições parceiras e o IMEI (sigla em inglês para o número de identificação do celular), o que inutiliza o aparelho. Modo recuperação – há a possibilidade de bloquear a linha telefônica e as contas vinculadas às instituições parceiras mantendo o IMEI ativo. Essa opção permite o retorno do aparelho à rede de telefonia tão logo seja instalado um novo chip, o que permite a recuperação do smartphone pela polícia. Com a ocorrência devidamente registrada, o aplicativo fará a integração com as instituições participantes. As operadoras de telefonia, então, suspenderão o dispositivo e os serviços ligados às instituições bancárias e financeiras. Para mais informações ou dúvidas sobre a funcionalidade, o internauta poderá acessar o botão Guia Rápido no site Celular Seguro.   Fonte: Agência Brasil 

Veja como garantir a eficácia e reduzir efeitos colaterais do Ozempic

O Ozempic é um medicamento que contém semaglutida como princípio ativo, inicialmente desenvolvido para o tratamento do diabetes tipo 2. A substância pertence à classe dos agonistas do receptor GLP-1, que imitam a ação de um hormônio natural do intestino, ajudando a controlar os níveis de açúcar no sangue. De acordo com a endocrinologista e metabologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) Tassiane Alvarenga, o Ozempic também reduz o apetite, promovendo saciedade, o que o tornou amplamente utilizado no manejo da obesidade. “Embora não tenha sido originalmente desenvolvido para a perda de peso, estudos clínicos demonstraram que ele também é altamente eficaz para esse fim”, pontua a médica. Entre os principais medicamentos utilizados para a perda de peso na mesma classe estão: Wegovy (semaglutida), que é semelhante ao Ozempic, mas foi aprovado especificamente para o tratamento da obesidade em doses mais altas (até 2,4 mg); Mounjaro (tirzepatida), um agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1 que demonstrou uma perda de peso ainda maior do que a semaglutida em alguns estudos; e o Rybelsus (semaglutida oral), uma versão oral da semaglutida, mais recente no mercado, utilizada para controle glicêmico e perda de peso. “Essas medicações têm revolucionado o tratamento da obesidade e do diabetes, mas a escolha deve ser individualizada, considerando fatores clínicos e socioeconômicos”, frisa Tassiane. Efeitos colaterais Os efeitos colaterais decorrentes da semaglutida incluem náuseas, vômitos, constipação ou diarreia, dor abdominal, fadiga, dor de cabeça, colelitíase (cálculos biliares), hipoglicemia (especialmente em diabéticos), reações no local da injeção e, em casos raros, pancreatite. Quem afirma isso é a endocrinologista e metabologista pela SBEM Thais Mussi. Quanto aos sintomas gastrointestinais, a médica pontua, primeiramente, que a substância retarda significativamente o esvaziamento gástrico, fazendo com que os alimentos permaneçam mais tempo no estômago. Há, também, uma alteração na motilidade intestinal. Thais comenta, ainda, que o cérebro recebe sinais mais intensos de saciedade, o que pode provocar náusea como resposta fisiológica. “Por fim, a redução abrupta na ingestão calórica também pode contribuir para esses sintomas”, diz. Dicas para garantir a eficácia e minimizar os efeitos colaterais da semaglutida À coluna, a endocrinologista entrega algumas orientações importantes quanto ao uso desses medicamentos para garantir eficácia e minimizar os efeitos colaterais: Evitar álcool em excesso: o álcool pode piorar os efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas e vômitos; Atividades físicas: não há restrição quanto à prática de exercícios, mas se o paciente apresentar náuseas ou tontura, é recomendável ajustar os horários de aplicação para não coincidir com treinos intensos; Alimentação: embora não haja restrição alimentar, refeições leves nos primeiros dias após o início ou aumento da dose podem ajudar a minimizar desconfortos gastrointestinais; Interações medicamentosas: é crucial consultar um médico sobre outros remédios em uso, especialmente aqueles para diabetes ou hipertensão, que podem necessitar de ajustes.

5 produtos queridinhos da WEPINK que você precisa conhecer!

A Wepink, marca da influenciadora Virginia Fonseca, vem conquistando cada vez mais espaço no mundo da beleza com produtos que unem tecnologia, qualidade e um toque de glamour. Se você ama skincare, maquiagem e fragrâncias envolventes, precisa conhecer os queridinhos da marca que fazem sucesso entre as consumidoras. Confira cinco itens que valem a pena testar! 1. Base Skin Perfection Um dos produtos mais desejados da Wepink, a Base Skin Perfection entrega alta cobertura sem pesar na pele. Sua fórmula é enriquecida com ativos hidratantes, garantindo um acabamento natural e luminoso. Perfeita para quem busca uma pele impecável o dia todo! 2. Bruma Fixadora Glow Para quem adora um glow saudável, a bruma fixadora da Wepink é indispensável. Além de ajudar na fixação da maquiagem, ela hidrata e ilumina a pele, deixando aquele viço bonito e natural. Um verdadeiro must-have para manter a make intacta e radiante! WEPINK: 3 perfumes super em conta que vão te deixar com cheiro de rica! 3. Perfume Virginia As fragrâncias assinadas por Virginia Fonseca são um sucesso absoluto, e o Perfume Virginia se destaca entre os favoritos. Com notas sofisticadas e envolventes, ele traz um aroma marcante e feminino, ideal para quem quer se sentir poderosa e confiante. 4. Lip Oil Hidratante Os lip oils da Wepink conquistaram espaço nos nécessaires das apaixonadas por lábios hidratados e brilhantes. Com textura leve e confortável, eles nutrem profundamente, proporcionando um toque de cor sutil e um efeito espelhado incrível. 5. Blush Cremoso O blush cremoso da Wepink é aquele produto curinga para dar um ar de saúde e frescor ao rosto. Fácil de espalhar e com ótima fixação, ele pode ser usado tanto nas bochechas quanto nos lábios, garantindo um visual harmonioso e natural. A WEPINK veio para ficar e prova isso com produtos que unem beleza e cuidado de forma inovadora. No Tocantins, você pode encontrar esses e outros itens dnos quiosques localizado no Lago Center Shopping, em Araguaína, e no Shopping Capim Dourado, em Palmas. Já testou algum deles? Conta pra gente qual é o seu favorito! 💖

Conheça a brasileira na lista de mulheres mais influentes do mundo

A brasileira Cristina Junqueira, cofundadora do banco digital Nubank, foi eleita pelo Financial Times como uma das mulheres mais influentes do mundo no ano de 2024. A lista de 25 pessoas escolhidas pelo jornal britânico conta com outras empresárias, além de personalidades da música, cinema, moda, literatura, política mundial e outras áreas. Junqueira foi apresentada pela revista a partir de um texto assinado pela também empresária brasileira Luiza Trajano, da rede de lojas de varejo Magazine Luiza. “Cristina Junqueira, cofundadora do maior banco digital do mundo, o Nubank, sempre demonstrou uma inquietação transformadora”, escreve Trajano. A presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza descreve ainda a colega de profissão como alguém com “comprometimento e atenção aos detalhes” e uma “busca constante por inovação”. “Sua capacidade de identificar oportunidades e liderar mudanças foi comprovada com a fundação do Nubank em 2013, revolucionando o sistema financeiro brasileiro e promovendo a inclusão financeira.” “Desde então, o Nubank construiu uma sólida base de clientes e teve uma listagem bem-sucedida no mercado de ações”, continua Trajano. “Cristina transformou desafios em inovação e construiu soluções que atendem às reais necessidades do mercado. Sua presença nesta lista reflete a importância de reconhecer líderes que moldam o futuro com coragem e visão estratégica, tão importantes no Brasil.” Também estão na lista de 2024 do Financial Times a cantora Taylor Swift, a ganhadora do Oscar de melhor atriz Emma Stone, a medalhista olímpica Simone Biles e a vice-presidente e ex-candidata à Presidência dos EUA, Kamala Harris. Junqueira foi eleita na categoria “líderes” do jornal ao lado de outras nove mulheres: Margrethe Vestager, comissária antitruste da União Europeia (UE); Rachel Reeves, ministra das Finanças do Reino Unido; Lisa Su, diretora-executiva da empresa de semicondutores AMD; Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Fei-Fei Li, cientista e professora de Stanford, Claudia Sheinbaum, presidente do México, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu; Julia Hoggett, CEO da London Stock Exchange; Ruth Porat, presidente e CFO da Alphabet e do Google; e Kamala Harris. Quem é Cristina Junqueira? Formada em Engenharia de Produção na Universidade de São Paulo (USP), a brasileira nascida em Ribeirão Preto (SP) teve suas principais experiências profissionais no mercado financeiro. Logo no início da carreira, seu caminho se cruzou com o de Luiza Trajano, já que ela atuou no LuizaCred, antigo braço de financiamentos do Magazine Luiza. Antes da fundação do Nubank, ela passou também pelos bancos Itaú e Unibanco. Seu maior projeto nasceu a partir do convite do colombiano David Vélez em 2013. O executivo radicado nos EUA tinha como objetivo criar uma fintech que desse aos clientes mais controle das suas finanças. Além de Junqueira, o empresário recrutou também o americano Edward Wible, de forma que os três são hoje considerados cofundadores do Nubank. Desde então o banco digital expandiu seus serviços e é hoje uma das marcas mais valiosas do Brasil, segundo ranking da Interbrand. Cristina Junqueira tem cerca de 2,9% das ações da instituição e, segundo a Forbes Brasil, é a quarta mulher mais rica do Brasil, com uma fortuna estimada em R$ 8,61 bilhões. Ela alcançou o status de bilionária depois que o Nubank estreou na Bolsa de Valores de Nova York, em dezembro de 2021, e se tornou a primeira mulher a alcançar a casa dos bilhões por conta de uma fintech no Brasil. A empresária também é mãe de quatro filhos: Alice, Bella, Anna e Leo. Fonte: BBC

Mulheres na menopausa: Invisibilidade deixa tratamento fora da agenda pública

Primeiro vieram os fogachos, as famosas ondas de calor, que levaram às noites mal dormidas. Depois as situações de esquecimento, oscilação de humor, crise de ansiedade e o cansaço ficaram mais constantes e, como consequência, o impacto no trabalho e nas relações. Aos 51 anos e mesmo com pouca informação, Leila Moura não tinha dúvidas, a menopausa estava chegando.   Apesar de conviver com o que considerou os “piores sintomas que já sentiu na vida”, Leila reconhece que está num lugar privilegiado, pois trabalha na Secretaria de Saúde do Distrito Federal e tem condições para buscar acesso a uma rede de profissionais qualificados e a um tratamento individualizado. Uma realidade distante para mulheres periféricas, em situação de vulnerabilidade, sem acesso à saúde e informação de qualidade, com insegurança alimentar e sobrecarregadas nas suas funções.  Segundo cálculos do IBGE, aproximadamente 30 milhões de mulheres no Brasil estão vivendo na faixa etária do climatério e menopausa, ou seja, 7,9% da população feminina. E somente cerca de 238 mil foram diagnosticadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por outro lado, a revista científica Climateric indica que 82% das brasileiras nessa faixa etária apresentam sintomas que comprometem sua qualidade de vida.  Por muitos anos, a saúde da mulher foi negligenciada em termos de pesquisa, políticas públicas e conscientização, criando um abismo histórico que afeta profundamente o tratamento da menopausa. Enquanto questões como a primeira infância, o início da adolescência, a menarca, a saúde reprodutiva, a gravidez e a maternidade receberam atenção, o climatério, a menopausa e a pós-menopausa permaneceram escanteados e até estigmatizados. A ausência de dados consistentes e pesquisas científicas robustas sobre os impactos dessa fase na vida das mulheres, por muito tempo, contribuiu para a perpetuação de estereótipos, como a redução da menopausa a simples ondas de calor e variações de humor. Hoje, os estudos científicos vêm avançando sobre o tema e a medicina já reconhece mais de 40 sintomas que podem estar ligados a essa fase da vida da mulher.  Política pública Para romper com esse ciclo, o Senado tem ampliado o debate sobre o envelhecimento feminino para colaborar no desenvolvimento de políticas públicas eficazes, que contemplem a saúde, o bem-estar social e profissional dessas mulheres com a garantia dos seus direitos, colocando na agenda pública a atenção durante a menopausa.  Projeto em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) determina que o SUS deve prestar serviços de saúde específicos para mulheres na menopausa ou em climatério, por todos os meios e técnicas necessárias. Entre essas medidas, estão a realização de exames diagnósticos; a disponibilidade de medicamentos não hormonais e hormonais; a capacitação dos médicos e o acompanhamento psicológico e de um conjunto de profissionais especializados que atuarão de forma multidisciplinar, focado na saúde da mulher.  O Projeto de Lei (PL) 3.933/2023, do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), foi tema de audiência pública na CAS em outubro. Neste momento, a matéria aguarda o relatório da senadora Teresa Leitão (PT-PE), que solicitou o debate. — O projeto fala de ações governamentais que exigirão o planejamento e a coordenação de políticas públicas consistentes e articuladas. Nesse sentido, é fundamental um debate amplo, prévio, para colher ideias, sugestões, contribuições de especialistas, de gestores públicos, de outros parlamentares […]. Esse é o nosso desafio, aprovar uma lei que atinja os seus fins sociais, […] um texto que contenha os balizamentos necessários para os implementadores da política pública — disse Teresa Leitão, que também elogiou a ideia, incluída no projeto, de se instituir a Semana Nacional de Conscientização para Mulheres na Menopausa ou em Climatério. Impactos biopsicossociais Muito confundido com a menopausa, o climatério é o período definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma fase biológica da vida — não um processo patológico. Ele é caracterizado pela diminuição da função ovariana, que ocorre na meia idade. Geralmente começa por volta dos 40 anos e pode durar até 10 anos. Ou seja, com uma expectativa de vida beirando os 80 anos, no Brasil, a mulher ficará metade da vida convivendo com os efeitos da falência ovariana.  É a partir dessa fase que sintomas como fogachos, tonturas, dores de cabeça mais acentuadas, insônia, confusão mental, oscilações de humor, ressecamento vaginal, a falta de libido e a irregularidade do ciclo menstrual surgem. De forma isolada ou conjunta. É uma fase de transição entre o período reprodutivo e não reprodutivo, quando começa a ocorrer a falência dos folículos ovarianos e, de modo progressivo, a deficiência estrogênica, que tem um papel fundamental na defesa celular.  Já a menopausa é o último acontecimento dessa fase, correspondendo à última menstruação, somente reconhecida depois de passados 12 meses da sua ocorrência. De acordo com o médico especialista em ginecologia endócrina Diogo Viana, quando a mulher começa a perder a produção do estradiol, passa a apresentar lesões em quatro órgãos muito importantes: ossos, músculos, cérebro e coração, o que vai muito além dos fogachos e da variação de humor. Com esse impacto no organismo, a mulher fica mais vulnerável a infarto, sarcopenia, que é a perda de massa muscular, osteoporose e complicações relacionadas à demência, depressão e doença de Alzheimer.  — 60% dos lares hoje têm a mulher como chefe de família, arrimo financeiro. Como a gente vai fazer com que essa mulher consiga trabalhar, se ela não consegue dormir, porque ela tem um fogacho, se ela tem perda de memória, se ela está internada? Como a gente consegue fazer com que essa mulher continue produzindo? Ela não vai conseguir se aposentar tão cedo; e com 45, 50 anos, já tem sintomas. É uma sequência de fatores muito graves aos quais a gente precisa prestar atenção — disse o médico na audiência pública da CAS.  Garantir o direito das mulheres a uma escuta respeitosa, uma anamnese bem conduzida, oferecendo atenção integral à sua saúde, segundo o médico Diogo Viana, pode reduzir de forma considerável os custos do SUS com doenças graves. — Não pode ser só um problema que o ginecologista ou o endocrinologista precisa tratar. O reconhecimento da osteoporose e o da menopausa precisam ser feitos por todos os médicos. Todo médico precisa saber iniciar [o diagnóstico] e,