Araguaína se consolida como uma das melhores cidades para se viver no Norte do Brasil

Recentemente, uma “trend” do Instagram incentivou os usuários a compartilharem as mudanças nas suas vidas e aparências nos últimos 10 anos. Como é de praxe nas redes sociais, o que se viu foi uma torrente de crescimentos, desenvolvimentos e evoluções para melhor. Mesmo sem participar da modinha, coincidentemente a última década também foi bastante exitosa para Araguaína.

Com alguma frequência, a cidade começou a figurar em rankings nacionais de desenvolvimento econômico, qualidade de vida e potencial de investimento. A primeira, veja só, foi em 2016, quando a revista Veja publicou uma reportagem sobre as melhores cidades na Região Norte do Brasil para se viver com base no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e Araguaína apareceu no Top 10 e à frente de diversas capitais, como Manaus, Belém, Rio Branco, Macapá e Porto Velho.

Dali em diante, a porteira abriu:

2018: Araguaína aparece pela primeira no Ranking Nacional das Cidades para Fazer Negócios, produzido pela Urban Systems para a Revista Exame. Entre 310 municípios com mais de 100 habitante, a Capital Econômica  do Tocantins ficou em 81º;

2021 a 2023: Araguaína registrou o maior crescimento percentual do PIB (Produto Interno Bruto) entre os municípios-polo da macrorregião que incluir todo o Tocantins, sudeste do PA e sul do MA;

2023: Araguaína reforça sua presença no ranking da Urban Systems aparecendo em dois segmentos: 54° colocação no setor industrial e no 96° lugar no mercado imobiliário.

Década de ouro

Mesmo com pouca idade, 68 anos a serem completados em 2026, Araguaína nasceu predestinada a ser referência. O não tão pequeno povoado emancipou-se já com as obras da BR-153 batendo às portas e posicionando a cidade como um entroncamento logístico estratégico para o desenvolvimento do norte do país. Enquanto 5º maior município de Goiás, seus votos eram aguardados com ansiedade para a definição da eleição de governo do Estado.

E por que os últimos 10 anos foram tão decisivos?

O presidente da ACIARA (Associação Comercial e Industrial de Araguaína), Roger Kuhn, faz um resumo. “O desenvolvimento de Araguaína é resultado da união do espírito empreendedor da nossa população, a força do agronegócio regional, os investimentos privados, o fortalecimento das instituições, a expansão do ensino superior, a melhoria da infraestrutura e, naturalmente, políticas públicas que permitiram esse ambiente de crescimento”.

O professor Doutor Roberto Antero da Silva, que ministra aulas no curso de Geografia e no Mestrado em Geografia da UFNT (Universidade Federal do Norte do Tocantins), argumenta na mesma linha. Ele iniciou sua pesquisa sobre as mudanças de Araguaína para sua dissertação de Mestrado, em 2010, e continuou estudando o desenvolvimento da cidade na tese de doutorado.

Para o acadêmico, a partir da década de 2010, Araguaína passou a experimentar um intenso processo de reestruturação urbana. “Foram melhorias da infraestrutura urbana, pelos investimentos públicos em mobilidade e qualificação dos espaços da cidade, na construção e revitalização de áreas de lazer, no fortalecimento de serviços especializados, especialmente nas áreas de saúde e ensino superior. Essas mudanças representam a consolidação de uma estrutura urbana mais compatível com a centralidade regional que Araguaína já exercia há décadas”.

O boom do lazer e do esporte

Um passeio pela cidade revela o quanto a força econômica da iniciativa privada e os planejamentos urbanos públicos são decisivos para a vocação da Capital Econômica do Tocantins. Em 2019, a inauguração do primeiro parque público urbano da cidade, o Cimba, criou uma opção inédita de lazer gratuito ao ar livre. Ano após ano, o Complexo Esportivo Pedro Quaresma, o calçadão da Via Lago, a Praça CEU, entre outros espaços de lazer nos bairros deram à população o acesso a um estilo de vida nunca antes possibilitado.

E as pessoas tomaram gosto pela vida saudável. Três grandes redes nacionais de academias (Smart Fit com duas unidades, Blue Fit e Gaviões) abriram suas portas em menos de três anos, uma após a outra. Os circuitos de corridas de ruas explodiram de audiência, sejam encabeçados pelo poder público ou pela iniciativa privada. E ainda tem os grupos e competições de bikes, o Centro de Canoagem, a febre do Beach Tênis com torneio internacional previsto para agosto deste ano, os aulões de Hitbox, entre tantas outras modalidades.

Os negócios mudaram também

Se fôssemos obrigados a escolher um marco na bem-sucedida história econômica de Araguaína, talvez a resposta mais votada seja a inauguração do Lago Center Shopping, em 2024, o primeiro da cidade e mais aguardado pelos consumidores. Mas o empreendimento é consequência de uma mudança mais estrutural.

“O empresário de Araguaína mudou muito. Se antes predominava uma gestão mais familiar e intuitiva, hoje vemos uma nova geração de empreendedores muito mais preparada, conectada com inovação, tecnologia, governança e planejamento estratégico. As empresas passaram a compreender que competir não significa deixar de cooperar. Essa mudança cultural talvez seja uma das maiores transformações do nosso ambiente empresarial”, pontua o presidente da ACIARA.

Grandes empresas ligadas à agropecuária, crescimento e expansão de negócios locais, como o Grupo Campelo, empreendimento logísticos estratégicos vinculados à BR-153, Assaí, nova unidade do Atacadão em andamento, a muito aguardada loja Havan também a caminho, entre tantos outros investimentos araguainenses e externos mostram a solidez e evolução da cultura empresarial da cidade.

Professor Roberto cita o geógrafo Milton Santos, que em seu livro “A Urbanização Brasileira” coloca as cidades médias, como Araguaína, como o ponto-chave do crescimento urbano brasileiro, ou seja, as cidades médias estão crescendo mais do que as metrópoles, do ponto de vista percentual.

“As cidades médias também tendem a ter uma qualidade de vida melhor do que as metrópoles, porque os espaços de trabalho, consumo e lazer são mais próximos. E por isso Araguaína ampliou sua participação nas redes econômicas e informacionais, aumentando a sua competitividade regional”, enfatiza o acadêmico.

Um sinal claro da mudança: moradia

A residência é um dos patrimônios mais simbólicos que uma pessoa pode ter. E morar bem, em uma cidade organizada, tem impacto direto na qualidade de vida. Para Rafael Faria, diretor da M21, construtora araguainense especializada no segmento habitacional, Araguaína está vivendo uma mudança muito mais profunda do que uma simples alteração no comportamento de consumo. É uma mudança na própria percepção de valor.

“Durante décadas, prosperidade significava acumular patrimônio e consumir mais. Hoje, as pessoas continuam buscando patrimônio, mas passaram a perguntar ‘Como eu quero viver?’. O novo luxo deixou de ser apenas possuir bens e passou a ser ter mais tempo, mais saúde, mais contato com a natureza, mais experiências, mais pertencimento e mais qualidade de vida”, pondera Rafael.

Roberto Antero, da UFNT, reforça a visão lembrando que, na última década, Araguaína avançou na oferta de produtos e serviços que antes só estavam disponíveis em metrópoles. “Um bom exemplo são as moradias. Novas possibilidades surgiram, como os condomínios fechados, que passam a fazer parte da paisagem da cidade. A moradia deixa de ser exclusivamente o patrimônio e passa a ser também algo relacionado também à qualidade de vida, à segurança, mobilidade, novas formas de circular e possibilidades de acesso a essas novas formas de consumir”.

O acadêmico destaca um elemento importante que já vem sendo demonstrado nos censos demográficos e que é uma forma diferenciada de moradia em ascensão em Araguaína: a verticalização.

E Rafael Faria acredita que o cidadão que escolheu Araguaína para morar, trabalhar e investir será exigente em relação à função da moradia em sua vida.

“O mercado imobiliário é um termômetro do crescimento das cidades e esse novo ciclo será liderado pelos empreendimentos que compreenderem essa necessidade. O diferencial deixará de ser apenas a metragem, a fachada ou o acabamento. Será a capacidade de devolver tempo, saúde, bem-estar e qualidade de vida às pessoas. Os projetos que entenderem essa transformação não estarão apenas construindo imóveis, ajudarão a construir um novo modo de viver, trabalhar e se relacionar com a cidade”, completa o diretor da M21.

A César o que é de César e sem fanatismo

O professor Roberto, da UFNT, reconhece o papel do poder público no florescimento de Araguaína nos últimos 10 anos. “Houve uma transformação incrível de Araguaína em relação à infraestrutura urbana, isso é notável em relação a mudanças no eixo viário, construção de espaços de lazer. Houve, obviamente, uma atuação do poder público no sentido de preparar a cidade para investimentos privados”.

Ele contextualiza o atual cenário da cidade ao mencionar o livro “O Direito à Cidade”, do filósofo Henry Lefebvre. “Se a infraestrutura da cidade se transforma, então há também uma mudança importante de como a população passa a utilizar a cidade. Ou seja, se a cidade melhora, a vida das pessoas também vai melhorar”.

Soma tudo e isso e chegamos….

Araguaína é uma das melhores cidades para se viver no Norte do Brasil, incluindo a macrorregião sul do PA e MA. Quem afirma isso é o instituto Imazon, em parceria com outras organizações, que divulgou o ranking neste ano. O cálculo leva em consideração o Índice de Progresso Social (IPS), que usa 57 indicadores sociais e ambientais para avaliar a qualidade de vida. A fonte pública das informações são o DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas.

Entre os 448 municípios da região Norte do país, Araguaína ocupa a 8ª posição. E quando estendemos a análise para as cidades que “concorrem” com a Capital Econômica do Tocantins, Araguaína está à frente de Imperatriz (MA), Balsas (MA), Parauapebas (PA) e Marabá (PA).

Roger Kuhn atribui os êxitos de Araguaína a uma junção de fatores humanos e econômicos. “Hoje moramos em uma cidade muito mais estruturada nas áreas de saúde, educação superior, gastronomia, entretenimento, cultura e prestação de serviços especializados. Também observamos uma população mais participativa, mais conectada e mais exigente quanto à qualidade dos serviços públicos e privados, o que naturalmente impulsiona melhorias”.

“Quando observo Araguaína, vejo exatamente os sinais dessa transformação. O crescimento econômico da cidade está formando uma população com novas expectativas. A explosão das academias, das corridas de rua, dos parques, dos restaurantes voltados à alimentação saudável e da valorização de experiências mostra que o araguainense não quer apenas consumir mais, ele quer viver melhor”, finaliza Rafael Faria.

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