Felca conta que influenciadores cancelaram contratos após seus vídeos

O youtuber Felipe Bressanim Pereira, 27, conhecido como Felca, falou sobre os efeitos que seu vídeo-denúncia teve em outros influenciadores, comentando que eles repensaram algumas atitudes após terem contato com suas reflexões. “Alguns já vieram falar comigo que estavam quase fechando com marcas, mas quando me viram falando disso deram uma parada, repensaram e decidiram não fechar”, disse em entrevista ao podcast “Pimentados”. Felca ainda comentou que alguns influenciadores o ofendem na internet com “brincadeiras” sobre sua aparência e com comentários em vídeos nas redes sociais. “Eles são muito divertidos, mas têm algumas brincadeiras que machucam. O Júlio Balestrin fica falando muito da minha orelhinha […] E eu sinto que por trás dessas brincadeiras, como me chamar de loirinha e dizer que me ‘pegaria’ se estivesse bêbado — várias besteiras —, existe um desejo dele”, disse. Relembre o caso No dia 6 de agosto, Felca publicou um vídeo de quase 50 minutos intitulado “adultização”, no qual aborda a exposição sexualizada de crianças e adolescentes nas redes sociais. O registro acumula, até o momento, 48 milhões de visualizações. Um exemplo citado é o da adolescente Kamyla (ou Kamylinha), hoje com 17 anos, que aparece em vídeos com Hytalo Santos desde os 12 anos. Segundo Felca, ela foi “adultizada”, com danças e cenários envolvendo bebidas alcoólicas, criados para atrair público adulto. Após a publicação do vídeo, Hytalo teve a conta no Instagram desativada e foi preso. Quem é Felca O youtuber ficou conhecido por seu humor sarcástico em vídeos que publica na internet desde 2012, quando criou seu primeiro canal. Alguns dos vídeos mais famosos do influenciador são “testei a base da Virgínia” (mais de 19 milhões de visualizações) e quando abordou as “lives de NPC” no TikTok, nas quais tecia críticas sobre formatos absurdos de conteúdo que viralizaram. Em um vídeo publicado sobre o assunto ele contou ter arrecadado R$ 31 mil por meio das lives e afirmou que destinou todo o valor a instituições de caridade. A gravação soma mais de 4,7 milhões de visualizações. O influenciador também ganhou destaque ao se posicionar contra o envolvimento de influenciadores com apostas esportivas, conhecidas como bets. Ele criticou a forma como essas plataformas eram divulgadas nas redes sociais e chegou a ser convidado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos) para participar da CPI das Bets. A participação, no entanto, não chegou a se concretizar.
Influenciador diz como criadores de conteúdo exploram crianças

As denúncias de pornografia infantil recebidas pela organização não governamental (ONG) SaferNet, que atua na promoção e defesa dos direitos humanos na internet, aumentaram 114% desde que o influenciador e humorista Felipe Bressanim Pereira, o Felca, contou como os criadores de conteúdo ganham dinheiro explorando vídeos nas redes sociais com conteúdo de teor sexual envolvendo crianças e adolescentes. Ao gravar o vídeo, que teve mais de 38 milhões de visualizações, o influenciador denunciou a monetização de vídeos em que crianças e adolescentes são exploradas sexualmente. A medição foi realizada na última terça-feira (12) no sistema de denúncias da ONG, que mantém há quase 20 anos o Canal Nacional de Denúncias de Crimes e Violações a Direitos Humanos na web. Entre 6 de agosto, data em que foi postado o vídeo, e 0h de terça-feira (12), a SaferNet recebeu 1.651 denúncias únicas. No mesmo período do ano passado, o hotline da organização havia recebido 770 denúncias, um aumento de 114%. Para a comparação, a SaferNet levantou os números do primeiro semestre de 2025 (28.344 denúncias) em relação ao primeiro semestre de 2024 (23.799 denúncias). O aumento de pornografia infantil entre um ano e outro havia sido de apenas 19%, considerado normal após a queda de 26% anotada em 2024. Denúncias únicas são as que a SaferNet recebe de forma anônima de usuários da internet e disponibiliza ao Ministério Público Federal (MPF), após a filtragem que realiza. Nessa avaliação, a SaferNet coleta evidências, exclui os links repetidos e agrupa os comentários recebidos com os links. A análise do mérito (do teor dos links denunciados e se há indício de crime) é feita por técnicos e analistas do Ministério Público Federal, com atribuição legal para iniciar e conduzir investigações cíveis e criminais em temas de direitos humanos. Denúncias crescem Para o presidente da SaferNet, Thiago Tavares, esse crescimento de denúncias de imagens de abuso de exploração sexual infantil na internet em agosto é efeito do vídeo viral de Felca. “Há anos, o tema do abuso sexual infantil online não gerava um debate tão grande na sociedade brasileira e a repercussão do vídeo, obviamente, estimulou as pessoas a denunciar” opina. Felca, em seu vídeo, apontou duas questões que a SaferNet vem denunciando sistematicamente desde o ano passado: o uso do Telegram como plataforma para distribuir e vender os vídeos produtos dos abusos e exploração de crianças, e o uso por esses criminosos de acrônimos, siglas e emojis para falar desse tipo de conteúdo sem chamar atenção, tanto ao vender as imagens dos abusos, quanto para aliciar novas vítimas. É o caso, por exemplo, da sigla cp (child porn), encontrada em vários grupos de troca e venda de pornografia infantil e mostrada no vídeo viral do influenciador. A SaferNet não recomenda o uso da expressão pornografia infantil porque ela minimiza a gravidade que têm esses crimes. A posse, o registro, a distribuição e a venda de imagens de abuso e exploração sexual infantil perpetuam e multiplicam a dor de crimes mais graves: o estupro, o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Sobre a SaferNet A Safernet completará 20 anos em dezembro deste ano. Durante sua trajetória, essa ONG brasileira tornou-se referência na promoção dos direitos humanos na internet. A ONG mantém o Canal Nacional de Denúncias, conveniado ao Ministério Público Federal e o Canal de Ajuda.org.br, o Helpline, para vítimas de violência e outros problemas online. A Safernet promove o uso seguro da internet com projetos educacionais como a Disciplina de Cidadania Digital.
Câmara pode pautar projeto contra ‘adultização’ de crianças nas redes

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), informou nesta segunda-feira (11) que vai pautar projetos que combatam ou restrinjam o alcance de perfis e conteúdos nas redes sociais que promovam a ‘adultização’ de crianças e adolescentes. O tema ganhou enorme repercussão após denúncias do influenciador Felca Bress contra perfis que usam crianças e adolescentes com pouca roupa, dançando músicas sensuais ou falando de sexo em programas divulgados nas plataformas digitais. “O vídeo do Felca sobre a ‘adultização’ das crianças chocou e mobilizou milhões de brasileiros. Esse é um tema urgente, que toca no coração da nossa sociedade. Na Câmara, há uma série de projetos importantes sobre o assunto. Nesta semana, vamos pautar e enfrentar essa discussão. Obrigado, Felca. Conte com a Câmara para avançar na defesa das crianças”, afirmou Motta em uma rede social. O influenciador Felca tem exposto perfis com milhões de seguidores na internet que usam crianças e adolescentes em situações consideradas de adultos para aumentar as visualizações e arrecadar mais recursos, a chamada “monetização” dos conteúdos. “Devemos cobrar em massa uma mudança nas redes sociais para que conteúdos como esses não sejam espalhados, permitidos nem monetizados. Tira o dinheiro dessa galera que tudo que eles fazem perde o sentido”, defendeu Felca nesse fim de semana. A ‘adultização’ infantil se refere à exposição precoce de crianças a comportamentos, responsabilidades e expectativas que deveriam ser reservadas aos adultos. A prática pode provocar a erotização e apresentam efeitos que prejudicam o desenvolvimento emocional e psicológico das crianças, segundo a Instituto Alana, organização que trabalha na proteção da criança e do adolescente.
Entenda caso Hytalo Santos e o que diz lei sobre “adultização” de crianças

O influenciador digital Hytalo Santos está sob investigação do MPPB (Ministério Público da Paraíba) por suposta “adultização” e exploração de menores em seus conteúdos online. A apuração, iniciada em 2024 após denúncias via Disque 100, busca verificar se os vídeos ferem o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) ao expor jovens a situações com teor possivelmente sexualizado. As investigações apuram se a imagem de adolescentes, como a jovem Kamylla Santos, de 17 anos, é explorada de forma sensual. O promotor João Arlindo Corrêa Neto afirmou que o processo inclui a escuta dos adolescentes e de seus responsáveis para avaliar o caso, que tramita em sigilo. Em sua defesa, Hytalo Santos nega as acusações e afirma que sempre colabora com o Ministério Público. Ele declara que as mães das adolescentes acompanham as gravações e consentem com a participação das jovens. ‘Adultização’ e a legislação Embora o termo “adultização” não seja um crime específico na legislação brasileira, a prática é combatida pelo ECA, que garante a proteção integral da criança e do adolescente. A legislação brasileira reconhece sua “condição peculiar de pessoa em desenvolvimento” e proíbe qualquer forma de negligência, exploração, violência ou submissão a constrangimento. O Ministério Público é o órgão responsável por zelar por esses direitos, podendo promover ações para proteger os interesses de crianças e adolescentes. A investigação sobre Hytalo Santos reflete essa atribuição, buscando determinar se houve violações legais nos conteúdos produzidos. Denúncia de youtuber O youtuber e humorista conhecido como Felca lançou um vídeo, na última quarta-feira (6), onde faz denúncias sobre a exploração de menores na produção de conteúdo online. Uma das acusações é direcionada ao influenciador Hytalo Santos, cuja conta no Instagram foi desativada na sexta-feira (8), após novas polêmicas envolvendo seu nome. Felca, que possui mais de 4 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, apontou Hytalo Santos como alguém que cria e reproduz conteúdos que envolvem menores de idade diante das câmeras. Um dos exemplos citados é o de Kamylla Santos, uma jovem de 17 anos, cuja imagem, segundo Felca, é explorada de maneira sensual em suas produções. O vídeo de Felca, que discute o tema da “adultização”, já acumulou mais de 15 milhões de visualizações e mais de 100 mil comentários. Muitos usuários elogiam a postura de Felca e ressaltam a ausência de anúncios no vídeo.