Tocantins se destaca como maior produtor de grão do Norte do Brasil

A safra de grãos no ciclo 2024/25 se encerra estimada em 9,17 milhões de toneladas e estabelece um novo recorde para o Tocantins na série histórica, superando o obtido na temporada 2022/23, quando foram colhidas 7,7 milhões de toneladas. O volume obtido no ciclo atual representa uma alta de 28,2% em relação à safra 2023/24, segundo o 12º levantamento divulgado nessa quinta-feira, 11, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A safra consolida o Tocantins como o maior produtor da Região Norte do Brasil, ocupando a 9ª posição no ranking nacional. Os dados apontam que o Tocantins, parte integrante do Matopiba, última fronteira agrícola do país, segue em crescimento e com produtividade em alta, trazendo desenvolvimento, oportunidades e progresso ao estado. O grande potencial produtivo do Tocantins continua atraindo investimentos e despertando interesse aos olhos do mundo. Entre os produtos mais cultivados e com melhores resultados na safra 2024/25, destacam-se a soja, o milho e o arroz. Soja, milho e arroz Principal produto cultivado, a soja registra produção recorde estimada em 5,4 milhões de toneladas, alta de 32,7% e um incremento de 1,3 milhão de toneladas sobre a safra 2023/24. Nas lavouras de milho, considerando as três safras do grão, com produtividade estimada em 5.630 kg por hectare no ciclo atual, é esperada uma produção total de 2,6 milhões de toneladas na safra 2024/25, aumento de 26,3% em relação a 2023/24 e a maior colheita já registrada pelo órgão. Para o arroz, a produção alcançou 822 mil toneladas, a maior já registrada, colocando o Tocantins como o 3º maior produtor de arroz do Brasil pelo décimo ano consecutivo. De acordo com o engenheiro-agrônomo da Seagro, Thadeu Teixeira Júnior, os produtores já se preparam para a safra 2025/26. Muitos investimentos seguem em andamento: a Agrotins voltou a bater recorde de negócios, reflexo da movimentação dos produtores durante a maior feira do agronegócio do Norte do país. “Grande parte dos produtores já adquiriu insumos para o plantio das principais culturas de verão. Os preparativos estão avançados e a expectativa do fenômeno La Niña traz otimismo, pois indica bons volumes de chuva para a Região Norte. Com isso, espera-se, mais uma vez, ampliação das áreas de soja e milho, especialmente na segunda safra”, afirmou Thadeu Teixeira. A Conab deve divulgar, no próximo mês, a previsão para 2025/26. O cenário de boas condições climáticas e melhora nos preços pode impulsionar novos investimentos. O Tocantins, já consolidado como potência nacional na produção de grãos, ainda dispõe de grandes áreas a serem exploradas, principalmente pastagens de baixa produtividade, o que pode levar o Estado, em breve, a ultrapassar Bahia e São Paulo, que não contam com tantas novas áreas disponíveis. Pesquisas Por meio da Gerência de Informações Socioeconômicas, da Secretaria de Estado do Planejamento e Orçamento (Seplan), o Governo do Tocantins acompanha os resultados de pesquisas socioeconômicas realizadas por institutos, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e por ministérios, como o do Trabalho. A partir da análise das informações divulgadas, são elaborados materiais de divulgação sistematizados, de forma compilada e segmentada para o Estado. A análise dessas pesquisas ajuda o governo a direcionar políticas públicas e auxilia na tomada de decisões mais acertadas para o desenvolvimento econômico e social do Tocantins. Esses estudos também servem para direcionar ações, orientar produtores, alavancar produções e definir caminhos para o futuro. Para acessar as informações completas, consulte o material desenvolvido pela Gerência de Informações Socioeconômicas aqui.

Produtores rurais debatem os impactos do Zoneamento Ecológico-Econômico

Tocantinópolis sediou, na última terça-feira (06/08), uma importante reunião entre produtores rurais, gestores municipais e representantes de entidades de classe da região do Bico do Papagaio para discutir os impactos do Zoneamento Ecológico-Econômico do Tocantins (ZEE-TO). O encontro foi realizado no auditório da Agronorte, a convite da Associação dos Produtores Rurais do Bico do Papagaio (ProBico). Durante a reunião, foi apresentada uma análise técnica do projeto de lei do ZEE pelo engenheiro agrônomo João Victor Galvão, da empresa Cerrados Florestal. Ele destacou a importância de compreender as diferentes zonas que compõem o estudo e seus impactos econômicos e ambientais. “Hoje a gente teve a possibilidade de apresentar diversas zonas, a importância de conhecer essas zonas que compõem o estudo do zoneamento e apresentar os possíveis impactos e restrições ambientais e econômicas que podem vir com esse projeto de lei, que ainda está em andamento”, afirmou. O presidente da ProBico, Luciano Vilela, reforçou a necessidade de maior conhecimento público sobre o tema e questionou critérios técnicos utilizados na proposta atual do zoneamento: “O atual ZEE propõe classificações como a ZDI, que delimitam zonas como classe 8 de capacidade de uso do solo. Sabemos que essas áreas não representam nem 2% do Estado. Estudos da própria Embrapa apontam que cerca de 80% do Tocantins está no grupo A, com maior aptidão para uso agropecuário. Mas o ZEE apresentado restringe isso a 41%”, alertou. O encontro contou com a presença do presidente do Sindicato Rural de Araguaína, Wagner Borges, do vice-presidente, Paulo Sérgio Araújo, e de diretores da entidade. Para Wagner, a mobilização da sociedade é essencial diante de uma proposta que pode comprometer o desenvolvimento do Estado. “Foi uma reunião muito positiva, com ampla representatividade. O produtor rural é o maior preservador do Brasil. Preservamos 66% do território nacional, sendo 33% dentro das propriedades rurais. Não precisamos de mais uma lei restritiva baseada em dados defasados da década de 1990, que ignoram os avanços tecnológicos e ambientais da agricultura atual. Precisamos de um plano diretor que nos ajude a avançar no desenvolvimento”, afirmou o presidente do SRA. O diretor da Agronorte, Gilmar Carvalho, também destacou os possíveis prejuízos da proposta para o município de Tocantinópolis. “Hoje, 60% do território de Tocantinópolis é reserva indígena. Com o ZEE da forma como está, perderíamos o restante do município, inclusive a viabilidade econômica da cidade. Temos três indústrias no município que seriam diretamente impactadas.”, afirmou. A reunião reuniu ainda representantes do Sindicato Rural de Tocantinópolis, representantes da Prefeitura da Câmara de  Araguaína, prefeitos e secretários municipais de diversas cidades da região do Bico do Papagaio e representantes de entidades ligadas ao agronegócio e produtores rurais. Debate continua: reunião em Araguaína A discussão sobre os impactos e propostas de alteração do ZEE-TO continua na próxima terça-feira, 13 de agosto, às 14h, no Tatersal do Parque de Exposições Dair José Lourenço, em Araguaína. O encontro pretende reunir produtores, autoridades e representantes do setor produtivo para formalizar sugestões que serão encaminhadas à Assembleia Legislativa do Tocantins.