É no calor intenso que as famílias iniciam a mobilização para aproveitarem as férias nas praias, porém, junto ao descanso, vem também a preocupação das infecções intestinais. Em 2024, unidades como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Pronto Atendimento Infantil (PAI) sofreram superlotação com o surto de quadros associados a vômitos e diarreias.
Segundo a Dra. Elena Medrado, diretora técnica do Hospital Municipal de Araguaína (HMA), gerido pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), as crianças são muito vulneráveis às desidratações, pois recusam a ingestão de líquidos por causa do enjoo constante.
“Nesses quadros, há perdas de água, tanto pelas fezes quanto pelo vômito. E essa criança tem dificuldade de repor líquidos como um adulto, por exemplo, por causa do mal-estar geral, o que compromete rapidamente a boa evolução clínica do paciente”, explica.
A pediatra alerta também que os quadros de desidratação são, em geral, graves. Por isso, demandam atendimento rápido e, dependendo do caso, têm a necessidade de internação prolongada. Portanto, a melhor medida é sempre a prevenção.
Prevenindo o contágio
A médica informa que a contaminação em escala se dá mais pela água e pelos alimentos. “A maioria das gastroenterites, que em grande parte são causadas pelo rotavírus, tem transmissão fecal-oral, ou seja, por contato com as fezes contaminadas. Isso quer dizer que um paciente contaminado passa os germes pelos resíduos fecais”, pontua.
Essa forma de transmissão é muito comum em praias, clubes e viagens, especialmente quando falta estrutura adequada de higiene. Então, se a água do rio onde os banhistas ficam for contaminada por coliformes fecais, os alimentos que são lavados nessa mesma área e as pessoas que estão banhando ali também podem se contaminar em grandes proporções.
“O ideal é que, quem estiver com a virose, use um banheiro separado, com esgoto direcionado e adequado, não compartilhe utensílios, como talheres, e evite aglomerações”, acrescenta a pediatra.

Medidas essenciais
A prevenção da gastroenterite viral em crianças envolve algumas medidas essenciais para reduzir o risco de infecção, entre elas:
- Higiene das mãos: ensinar as crianças a lavar as mãos regularmente com água e sabão, especialmente antes das refeições e após usar o banheiro;
- Higienização dos alimentos: lavar bem frutas, verduras e legumes antes do consumo e garantir que os alimentos sejam armazenados corretamente;
- Evitar contato com pessoas infectadas: se alguém da família ou da escola estiver com sintomas de gastroenterite, é importante minimizar o contato próximo;
- Vacinação contra rotavírus: a vacina contra o rotavírus pode ajudar a proteger contra uma das principais causas de gastroenterite viral em crianças;
- Cuidados com água e alimentos: certificar-se de que a água consumida seja potável e evitar alimentos de procedência duvidosa;
- Higienização de superfícies e brinquedos: limpar regularmente objetos e superfícies que as crianças tocam com frequência.
Se a criança apresentar sintomas como diarreia intensa, vômitos ou sinais de desidratação, é fundamental buscar orientação médica o mais rápido possível.
Meu filho está doente, e agora?
Conforme reforça a Dra. Elena, é importante manter a oferta de líquidos, mesmo com recusas. É preciso insistir, mas sem ignorar os sintomas de alerta que podem piorar rapidamente, que são: sonolência, letargia, sede intensa, dor abdominal, olhos fundos com olheiras e boca e lábios secos.
“Todos esses sinais são importantes para buscar a emergência, e a atenção precisa ser redobrada com bebês e crianças menores de dois anos, e também aquelas que ainda não receberam a vacina contra o rotavírus”, finaliza a pediatra.












