Grávida precisa cuidar de corpo e mente: conheça o pré-natal terapêutic

Se falássemos disso em um almoço de família há uns anos, a cara seria de espanto, mas – graças a muitos debates e desabafos maternos trazidos a público – hoje sabemos que é preciso cuidar da mente para gestar melhor. A maternidade é uma experiência única, mas pode ser desafiadora, especialmente quando fatores inesperados entram em cena, como comorbidades ou questões que mexem com nosso emocional.

Com ajuda profissional é possível enfrentar os mais diferentes desafios que surgem na gestação, de forma saudável, não só física como emocionalmente.

Em primeiro lugar, claro, a gestante deve garantir que está bem amparada no que diz respeito à saúde física, isto é, seguir seu pré-natal com um obstetra qualificado. Isso inclui realizar todas as consultas e exames de rotina, seguir as orientações médicas e adotar mudanças sugeridas no estilo de vida. Não necessariamente depois – talvez o ideal seja em paralelo, é preciso olhar para sua saúde mental.

Não é necessário uma razão específica ou um problema; a gestação em si já é uma mudança significativa na vida de qualquer mulher e ter o acompanhamento terapêutico é transformador. Você se sentirá mais segura, amparada, preparada para as ambivalências que surgirão.

Há um aumento da procura de terapia na gestação devido à conscientização da saúde mental, da importância dos cuidados emocionais e por reconhecerem as diversas transformações vivenciadas durante a gravidez, tanto por parte das gestantes como pelos profissionais de saúde.

Adriana de Lima Souza, psicóloga do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Se a gestação envolver complicações ou gerar muita angústia, a terapia é ainda mais indicada. Ou se a gestante estiver passando por um período prolongado de ansiedade, tentativas, abortos espontâneos, expectativas. Segundo a psicóloga Adriana de Lima Souza, o pré-natal psicológico poderá avaliar e diagnosticar de forma precoce algum processo mental que não vai bem, como o Transtorno Depressivo, que pode ser um antecedente prévio e se intensificar nessa fase, ou iniciar o quadro durante a gestação ou pós-parto. “Outros aspectos, como histórico psiquiátrico, gestação não planejada e abortos anteriores, potencializam a necessidade do pré-natal psicológico para prevenir complicações psíquicas”, salienta.

Quando há problemas com a gravidez, para além do vivenciado pela gestante devido aos hormônios e mudanças naturais, é importante que o apoio psicológico não seja voltado apenas para ela: o ideal é que seja para o casal.

Compartilhar emoções e cuidado: uma abordagem holística da gestação

Outra opção interessante é procurar grupos de apoio. Existem diferentes tipos, alguns para mães solo, outros para famílias que adotam, e por aí vai. Sem falar no amparo de amigos e familiares, quando possível, que também é essencial nesse período. Converse com quem você tem mais intimidade, e peça ajuda sempre que preciso.

Mas, não ignore a importância do acompanhamento especializado: cada vez mais gestantes estão recorrendo ao pré-natal psicológico ou terapêutico. Essa prática envolve o acompanhamento da gestante por um psicólogo, psiquiatra, psicanalista ou terapeuta perinatal, com o objetivo de apoiar a mulher emocional e psicologicamente durante a gravidez, o parto e até no puerpério.

O ideal é que o acompanhamento seja feito por um psicólogo especializado em questões perinatais, ou seja, que tenha experiência e formação específica para lidar com as questões emocionais que envolvem a gravidez, o parto e o pós-parto.

Adriana de Lima Souza, psicóloga do Hospital e Maternidade Santa Joana

O profissional especializado pode oferecer suporte emocional, ajudar a lidar com as mudanças no corpo, as emoções e a dinâmica familiar, além de oferecer estratégias para enfrentar o estresse ou qualquer outro desafio psicológico que a gestante possa estar enfrentando. O objetivo destes profissionais durante a gestação é oferecer suporte à gestante, além de prevenir ou tratar desconfortos psíquicos que possam surgir, como depressão ou ansiedade.

A ansiedade, quando não tratada, pode resultar em crises ou em quadros de depressão, especialmente no puerpério, que é um período de grandes desafios para a saúde mental.

É importante destacar que, no caso da terapia perinatal, pode haver inclusive diferentes abordagens e técnicas. A escolha do tipo de terapia deve ser feita com base nas suas necessidades individuais.

Independentemente do tipo de terapia ou profissional escolhido, a primeira vantagem é que este acompanhamento oferece um espaço para a mulher compreender as profundas mudanças pelas quais está passando, e também para “desromantizar” a maternidade, que muitas vezes é idealizada de maneira irreal – e coloca um peso desnecessário nos ombros de quem já carrega uma vida no ventre.

Ainda na dúvida se é para você?

Lembre-se de que o conceito de pré-natal terapêutico vai além do acompanhamento médico, que visa diagnosticar doenças e complicações físicas na gestante e no bebê. Mas, assim como o pré-natal convencional, o terapêutico busca tratar da saúde da gestante – só que com o foco no emocional e no mental.

Também como o pré-natal médico, o terapêutico pode “remediar” quando necessário (neste caso, é preciso contar com um psiquiatra), mas – acima de tudo – ele vem para atuar na prevenção. Ou seja, uma boa terapia é para todas as grávidas, afinal, assim como ela deve ser monitorada para problemas físicos, também é essencial que sua saúde mental seja acompanhada de perto.

Os benefícios, na prática, são vários, como a vivência dessa experiência de forma muito mais equilibrada e saudável. Isso pode envolver desde a redução do estresse e da ansiedade até o fortalecimento emocional para enfrentar o pós-parto e os desafios futuros da parentalidade.

WhatsApp
Facebook
Twitter
Araguaína